quarta-feira, 30 de maio de 2012

CUT fez quase o dobro de greves no serviço público federal nos anos Lula do que na era FHC

30/05/2012

Estatística do Dieese

Escrito por: Isaías Dalle

O Sistema de Acompanhamento de Greves (SAG) do Dieese demonstra que entre 1995 e 2002 foram realizadas 133 greves na esfera pública federal, o que inclui funcionalismo e empresas estatais. Já entre 2003 e 2010, durante os dois mandatos presidenciais de Lula, o número de greves atingiu 248.
Como a CUT representa aproximadamente 90% dos trabalhadores públicos federais e dos trabalhadores de estatais, pode-se concluir que a imensa maioria desses movimentos grevistas foi realizada por entidades cutistas.
Os números desmentem de vez a tese de que a mobilização da CUT teria arrefecido durante os mandatos de Lula, como tantas vezes as oposições sindicais e parte da imprensa insinuaram. “Sempre afirmamos que o ímpeto mobilizador e reivindicador da CUT estava presente. Sempre soubemos separar o papel que cabe à Central, que é o de pressionar, cobrar e negociar em nome dos interesses da classe trabalhadora, e os papéis de governo e partido”, comenta o presidente da CUT, Artur Henrique. “Porém, com esses números consolidados, acabamos com as especulações de uma vez”, completa.
O maior número de greves no setor público federal no período Lula também se explica pelo fato de o País ter vivido um momento de crescimento econômico e de geração de empregos, inclusive no funcionalismo federal, com a abertura de concursos públicos. Num ambiente de crescimento, normalmente os trabalhadores e trabalhadoras organizados aumentam seu poder de negociação.
Na era FHC, por outro lado, houve forte retração econômica e o governo tucano utilizou-se de diferentes ferramentas para promover demissões de grevistas e para sufocar mobilizações. Ao mesmo tempo, fechou-se às negociações e promoveu uma onda de terceirizações no serviço público, enquanto as privatizações eliminaram postos de trabalho.
“Esse ambiente de arrocho e repressão colocou os trabalhadores numa espécie de trincheira, numa luta de resistência contra o desmonte do mercado e do emprego”, lembra Artur.
Pedro Armengol, coordenador nacional do Serviço Público da CUT, comenta ainda que aquele ambiente de ataque aos direitos trabalhistas exigia mobilizações e greves muitas vezes mais ruidosas do que as realizadas no período Lula. Um exemplo sempre lembrado é o da greve dos petroleiros de 1995, que ajudou a impedir a privatização da Petrobrás, mas que foi longa e enfrentou inclusive repressão das Forças Armadas. “Esse tipo de situação chamava muito mais a atenção, ocupava muito mais espaço na imprensa”, diz ele.
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Greve nos bancos públicos em 2010
Greve nos bancos públicos em 2010
Porém, num ambiente de negociação permanente, de diálogo e crescimento como os anos Lula, lembra Armengol, os impasses diminuíram.
No período Lula, avalia a CUT, houve muitos avanços na esfera pública federal para os trabalhadores. Setores conquistaram a construção de planos de carreira, aumentos reais de salário foram obtidos após longos anos de simples reposição da inflação na era FHC e muitos concursos foram realizados para substituir os terceirizados.
“Não fazemos greve pela greve. Greve é instrumento para abrir negociações, para pressionar por avanços”, comenta Artur.
Para compilar todas as conquistas obtidas pelo funcionalismo federal, setor por setor, será preciso fazer uma pesquisa minuciosa junto a cada um deles, uma vez que os resultados consolidados não são captados pelas estatísticas do Dieese. Rodrigo Linhares, técnico do Dieese Nacional, explica que isso ocorre porque o serviço público federal não tem um sistema de negociação formal, portanto não tem data-base. Sem periodicidade definida, as negociações e seus resultados são garantidos através de instrumentos como portarias e medidas provisórias. Para contornar as dificuldades estatísticas impostas por esse caráter fragmentário das negociações no setor, uma alternativa seria os sindicatos criarem o hábito de enviar as informações de suas campanhas para o Dieese. Mas isso ainda não acontece.
Aliás, as entidades sindicais, de todos os setores e ramos de atividade, não enviam seus dados sobre greves ou negociações salariais para o Dieese. Por causa disso, o departamento precisa acompanhar os resultados, necessários para a confecção dos balanços anuais de greves e campanhas, através da imprensa. Isso impede também que o Dieese tenha certeza sobre à qual central cada um dos sindicatos em campanha ou em greve é filiado.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora e a luta pelo combate a violência contra a mulher
Sonia Auxiliadora
A Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT - Central Única dos Trabalhadores – do Estado de São Paulo, em conjunto com o Coletivo Estadual de Mulheres, tem intensificado a luta contra a violência a mulher, entendendo ser esta uma pauta de fundamental importância para o movimento sindical e para a sociedade em geral por termos a clareza e a convicção de que a construção de uma sociedade justa, democrática, com igualdade entre homens e mulheres não se efetiva enquanto existirem mulheres maltratadas, mortas e humilhadas.
Uma sociedade será livre, se os direitos forem, de fato, respeitados e iguais entre homens e mulheres e, portanto, precisamos desconstruir os conceitos impostos e promover a mudança da cultura patriarcal e machista imposta ao longo dos séculos no Brasil e no mundo e construir novos conceitos que garantam a cidadania e o respeito aos direitos, principalmente das mulheres absurdamente relegados e discriminadas por milênios.
Ao longo da nossa trajetória de luta, as mulheres trabalhadoras cutistas vêm se organizando e avançando na luta pelo fim da violência contra a mulher e pela garantia dos direitos com igualdade na vida, no trabalho e na sociedade.
Um dos avanços mais significativos dessa luta foi a conquista da Lei Maria da Penha, sancionada pelo ex-presidente Lula em 2006 e os instrumentos instituídos para proteger as mulheres em situação de violência. Mas, no estado de São Paulo, as mulheres ainda em 2012 cobram a aplicação e a implementação da lei com todos os mecanismos e instrumentos nela previstos para que as mulheres tenham assegurados o atendimento e as medidas protetivas legais para que não corram risco de morte.
É com este sentimento que a CUT/SP, através da Secretaria da Mulher Trabalhadora, vem acompanhando de perto a CPMI, Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), da Violência contra a Mulher, criada com a finalidade de, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, investigar a situação da violência contra a mulher no Brasil e apurar denúncias de omissão por parte do poder público com relação à aplicação de instrumentos instituídos em lei para proteger as mulheres em situação de violência.
Data da audiência da CPMI do Estado de São Paulo
Dia 29 de junho, das 10 às 18 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo
De acordo com a sua apresentação, a CPMI foi proposta com base no elevado número de mulheres vítimas de violência no Brasil. Os estudos existentes descortinam uma grave situação ainda não superada.
A despeito de termos uma legislação inovadora que se propõe combater a violência contra a mulher, ainda nos deparamos com casos aterradores de mulheres vítimas de todos os tipos de agressão.
Inicialmente, a CPMI deverá coletar dados e informações sobre as realidades locais, mapear os problemas e diagnosticar as falhas do atendimento. Para traçar melhor um quadro diagnóstico, realizará audiência em cada estado da federação.
No Estado de São Paulo, foram realizadas algumas reuniões com a definição do seguinte calendário:
Audiência Pública da CPMI em São Paulo
A organização da audiência pública no Estado de São Paulo, sob a responsabilidade das parlamentares membros da CPMI, tem a participação de gestoras públicas dos equipamentos públicos de enfrentamento à violência, parlamentares estaduais, vereadoras, defensoras públicas, entidades da sociedade civil e do movimento social.
A organização prevê que todos os segmentos sociais e do poder público devem elaborar um relatório, conforme roteiro elaborado pela CPMI, acerca da realidade da violência e implementação da Lei Maria da Penha, a partir de sua vivência cotidiana e do trabalho realizado.
Dia 28 de maio, às 15 horas, no Auditório Franco Montoro, na Assembleia Legislativa: o produto deste trabalho será apresentado às parlamentares do estado de São Paulo que compõe a CPMI;
· De 1 a 22 de junho, serão realizadas oito audiência/diligências nas regiões do Estado, são elas:
22 de junho - ABCD,
4 de junho - Alto do Tiete e Região das Águas,
1 de junho - Baixada Santista e Vale do Ribeira,
Campinas,
Capital,
Marilia e região,
18 de junho - Osasco
Vale do Paraíba/Litoral Norte.
O resultado será a construção de um relatório que será apresentado na audiência da CPMI do Estado de São Paulo, que acontecerá em 29 de junho, das 10 às 18 horas, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Dia 29 de maio, terça-feira, às 15 horas, no Plenarinho da Câmara Municipal de Campinas, acontecerá a reunião preparatória de organização da Diligência da CPMI da Violência contra a Mulher da região de Campinas.
Nesta primeira reunião, estão na organização o gabinete da deputada estadual Ana Perugini, da deputada federal Aline Correa, as gestoras de políticas para as mulheres das cidades de Sumaré, Edna e de Várzea Paulista Imaculada.
  • A Coordenação da CPMI em São Paulo convida todas/os interessadas/os para compor a organização.
A SEMT – CUT/SP ressalta a relevada importância do envolvimento e participação efetiva das entidades filiadas e Subsedes da CUT nas etapas regionais da CPMI.
Anexo: carta de divulgação da CPMI no estado de São Paulo assinada por várias entidades e parlamentares; roteiro a ser respondido pelas entidades / movimentos.
Sonia Auxiliadora
Secretaria Estadual da Mulher Trabalhadora da CUT/

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trabalhar sob estresse afeta a vida familiar, diz especialista
Para a médica do trabalho Margarida Barreto, o endurecimento nas relações entre empregador e funcionário provoca desprazer e barra a criatividade do trabalhador, além do seu adoecimento
Letícia Cruz, Rede Brasil Atual
São Paulo – O estresse provocado pelas jornadas prolongadas e crescentes exigências por metas no trabalho interferem além da saúde, na vida familiar, na avaliação da médica do trabalho e pesquisadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Margarida Barreto. Categorias de trabalhadores acostumados a viver sob pressão ou de grande exigência – como os psicólogos, assistentes sociais e profissionais da saúde em geral – buscam a redução de jornada de trabalho por meio de projetos de lei em trâmite no Congresso e também por mobilizações públicas junto aos sindicatos.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) recomendam uma jornada máxima de 30 horas para estes casos, e centrais sindicais fazem coro ao pedido. No entanto, ainda há resistência dos setores públicos e privados em adotar as medidas, que podem reduzir a incidência de doenças adquiridas no trabalho e melhorar o desempenho e produção do funcionário. Em entrevista, Margarida relaciona a decisão das empresas em não reduzir a carga horária com um possível receio de ter de forçar gastos para aumentar o quadro de funcionários para suprir as lacunas das jornadas.
A intensidade do problema é visível: dados da Previdência Social mostram que no período de janeiro a março de 2012 foram 511.564 auxílios-doença concedidos. O número representa pouco mais de dez mil pedidos ante o total do mesmo período no ano passado. À medida em que surgem mais vagas de emprego, segundo a médica, mais se torna indispensável a discussão sobre a qualidade dele para o trabalhador.

Quais os efeitos de uma jornada longa em uma profissão estressante?

A questão da saúde é fundamental. Primeira coisa é que as consequências de um trabalho sob estresse independe de categoria, de ser homem ou mulher. Tudo leva a uma fadiga mental e física, e consequentemente a diminuição da capacidade de produzir. E, claro, o patrão insiste em não diminuir a jornada porque acha que seus gastos vão aumentar tendo de contratar novos trabalhadores. Isso é um engano total.
Um trabalhador que exerce uma jornada prolongada tem de produzir cada vez mais e não pode cair de cama. Ele acaba adoecendo justamente por conta disso. É uma rotina insuportável, e leva não só ao cansaço mas também a outras complicações, como doenças gastrointestinais como as gastrites, e psicológicas, como o desânimo, pesadelos, angústia. O trabalhador muitas vezes se sente incapaz de dar conta daquilo que lhe é imposto, quando na verdade é desumano. Um terreno permeado de contradições. É mais do que justo esta reivindicação dos trabalhadores na questão da redução da jornada e, associado a isto, vem a questão da estabilidade no emprego.
Qual a argumentação que trabalhador pode dar quanto ao que é submetido?
Eu acredito que a argumentação deve estar embasada não só nas questões de saúde, não só na questão ética. Um trabalho prolongado e denso é fonte de desprazer, de sofrimento. Barra a criatividade do trabalhador e possibilita um maior índice de acidentes e de adoecimento.
Qual seria a alternativa para o trabalhador que não vê a saída da redução da jornada e também não encontra respaldo na lei?
A alternativa está nas lutas que exijam como um todo mudanças na organização de trabalho. Quando você pensa na jornada, ou nas horas-extras, está dentro do acordo de trabalho.
Mudar significa possibilitar a este trabalhador, fazer seu serviço de forma digna, sem estresse, com autonomia. Se eu tenho uma relação com o empregado que só exige metas cada dia maiores e não dá possibilidades de micropausas quaisquer, não dá para esperar muito. Não querendo ser saudosista, mas antes os trabalhadores tinham ao menos a chance de sair para fumar um cigarro, bater um papo com um colega. Hoje você não tem esta possibilidade, porque poucos trabalhadores devem cumprir o que foi estipulado. Passa a ser um luxo pensar em conversar com o colega do lado.
Não ter tempo sequer para relaxar, para dar um bom dia sequer ao companheiro de trabalho, complica. Nas grandes empresas, apesar do ambiente bonito e clean, já são ambientes pesados. Imagine então numa terceirizada, por exemplo. É sobrecarga, exigência, e exploração cada vez maiores. Isto acaba tendo repercussões até dentro da vida familiar.

Falando em funcionários terceirizados, a rotina de um funcionário de call center, por exemplo, é totalmente controlada pelos empregadores. Inclusive os momentos de pausa, que são poucos... este modo de se relacionar com os empregados virou uma tendência?
Claro, e é chocante pensar que em pleno 2012 ainda vemos por aí problemas com intervalos até mesmo para ir ao banheiro. Geralmente, estes funcionários só podem ir quando tem alguém para cobrir o serviço no seu lugar. Uma hora a situação entra em colapso. A forma atual de pensar políticas para as empresas levam em consideração o período de crise, um pensamento neoliberal. Pensa-se na quantidade de trabalho, mas não no indivíduo. Todas as mudanças econômicas no mundo se refletem na questão do trabalho, e quem sempre paga a conta da ganância é o trabalhador.
Desde o momento em que ele é não somente superexplorado, mas quando ele só vale para a empresa enquanto tem saúde. Mas nesta condição, me diga: como ele pode manter a saúde? Há uma contradição.
Certa vez, um trabalhador químico me disse algo que vale muito para o agora. Ele reclamou que a luta não é só pelos salários, mas pela manutenção do trabalho. A preocupação de conseguir se manter no emprego. Esperava que não chegássemos a este ponto, mas chegamos.
E é um desafio aos sindicatos...
É um desafio para cada categoria, aos trabalhadores como um todo. É estar vendo não só a questão de saúde em si, mas o que está causando a deteorização da saúde dos trabalhadores. Por que há uma destruição cada vez maior das relações de trabalho? Se não tem saúde, ele (o trabalhador) vai perder o emprego. E vai ter uma relação de precaridade dentro da própria casa. É um efeito dominó.
Há uma discussão quanto ao crescimento constante do emprego e, ao mesmo tempo, a preocupação sobre a qualidade deles ao trabalhador. Como você vê o assunto?
É uma questão que me incomoda muito ultimamente esta do pleno emprego. Aí eu pergunto: que pleno emprego é este que os trabalhadores estão tendo e adoecendo cada vez mais? É um ciclo depressivo tanto na questão do sistema capitalista mundial, mas também das relações de trabalho. Para mim, a coisa é muito crítica e exige enquanto movimento organizado pensar além. Não é só esta a discussão, tudo envolve um sistema político. Se eu fosse resumir em uma palavra, eu diria que nunca foi tão necessário construir uma nova sociedade com um novo olhar, que não dê privilégio a um grupo de famílias que comandam o planeta.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mobilização contra demissões no Itaú

Funcionários promovem Dia Nacional de Luta nesta quarta e denunciam banco à sociedade

Jair Rosa - Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

A campanha de denúncias contra as demissões promovidas pelo Itaú principalmente na rede de agências será intensificada nesta semana com a divulgação de informe publicitário em jornal de grande circulação, comunicados em emissoras de rádio, em outdoor nas proximidades da capital. Além disso, os trabalhadores voltam a se mobilizar em Dia Nacional de Luta, nesta quarta, 23.

“Mesmo com o elevado lucro, o Itaú mantém política de demissões que atinge principalmente funcionários mais experientes de agências. Em muitos casos, há a substituição de bancários por outros com salários menores. Situação inadmissível e que prejudica trabalhadores de todo país”, afirma o diretor executivo do Sindicato, Daniel Reis.

De acordo com o dirigente sindical, o setor de RH deixa claro que não tem controle das dispensas nas unidades. “Nos últimos dois anos foi dado excesso de autonomia a diversos segmentos da empresa. O resultado é que o Itaú está sem comando, sem gestão clara e quem sofre com isso é o bancário”, diz.

Dentre os protestos do Sindicato, foi realizado ato na quinta 17 na Avenida Paulista. Na manifestação foram estendidas faixas para denunciar: “Lucrou R$ 10,9 bilhões e demitiu milhares de trabalhadores - Itaú: campeão das demissões”; “Itaú Unibanco destruidor de famílias: não demita meus pais”, entre outras.

Denúncia – Além das manifestações, o Sindicato encaminhará denúncia sobre o Itaú ao Ministério do Trabalho e Emprego.


Fonte: cutsp.org.br

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Após vitória com PEC, novo perigo ronda combate ao trabalho escravo


Projeto de lei que vai redefinir conceito de escravidão no Brasil é visto como possibilidade para bancada de representantes do agronegócio inviabilizar efetivação de proposta



Virgínia Toledo, Tadeu Breda e João Peres - Rede Brasil Atual




Deputados festejam aprovação da PEC 438, mas luta para erradicar trabalho escravo no país ainda está longe do fim (Saulo Cruz/Ag. Câmara) Aprovada a Proposta de Emenda à Constituição 438, de 2001, que destina para reforma agrária terras nas quais seja flagrada condições de trabalho análogas à escravidão, a longa luta pelo fim da exploração degradante da mão de obra no país já se avizinha a uma nova batalha. O envio da PEC ao Senado terá de ser acompanhado por um projeto de lei complementar que defina o conceito da escravidão contemporânea, exigência da bancada de representantes do agronegócio.



Mesmo havendo definição no Código Penal brasileiro sobre o tema, esse foi o ponto utilizado pelos ruralistas para arrastar, durante oito anos, a votação na Câmara. A argumentação é de que na legislação atual a definição de trabalho escravo fica sob critério subjetivo dos fiscais do trabalho, o que abriria brecha para expropriações injustas.



“É uma conquista, mas a luta continua”, afirma Frei Xavier Plassat, coordenador da campanha da Comissão Pastoral da Terra (CPT) contra o Trabalho Escravo, referindo-se ao resultado da sessão plenária da Câmara, na noite da terça-feira (22). “A vitória não pode nos iludir. Agora haverá enfrentamento para amenizar o que é trabalho escravo no Brasil de modo a tornar a PEC inócua.”



Aprovada no Senado e em primeiro turno na Câmara em 2004, a proposta esperava há oito anos pela apreciação em segundo turno entre os deputados. A entrada do governo de Dilma Rousseff no trâmite foi o passo decisivo para devolver o tema ao plenário. Na primeira tentativa, no começo deste mês, porém, os ruralistas contaram com uma razoável ajuda dos parlamentares do PMDB para deixar para adiar a votação decisiva.



Ontem (22), novas manobras provocaram expectativas negativas em quem queria ver a PEC aprovada. Após quebrar acordo com o Executivo, os ruralistas chegaram a tentar romper também o combinado com os líderes partidários, baixando o quórum da sessão a ponto de colocar em risco a votação. “Estão mais presos a interesses retrógrados e atrasados que à modernidade. Ainda não chegaram ao século 21. Há um setor muito retrógrado aqui na Câmara que queria impedir a votação. Ouvi comentários achando que não iríamos aprovar”, relata o líder do PSOL, Chico Alencar (PSOL-RJ).



No fim, foram 360 votos favoráveis e 29 contrários. “No Senado há menos resistência. A margem ampla aqui na Câmara ajuda bastante a votação no Senado. Acho que vai ser em junho mesmo, antes do recesso”, avalia Alencar.



No que depender de Valdir Colatto (PMDB-SC), um dos representantes do agronegócio na Câmara, também do outro lado do Congresso haverá debate acalorado e, talvez, demorado. “A maioria não sabia o que estava votando, não estudou, não sabe das consequências, se deixou levar pela teoria radical do PT, que quer expropriar as terras”, disse.



Ele cobrou do Senado mais “inteligência”. “Pra mim não existe mais trabalho escravo, existe descumprimento das leis trabalhistas. O pessoal está confundindo, jogando questão de leis trabalhistas pra expropriação de terras. Isso vai trazer desemprego porque as pessoas vão ficar com medo de contratar. O pessoal se deixou levar por um discurso ideológico.”


fonte:cutsp.org.br




segunda-feira, 21 de maio de 2012

registrado em:
13º CECUT encerra com eleição da direção para o triênio 2012-2015
Eleita a nova direção da CUT/SP
Foto: Dino Santos

Maria Angélica Ferrasoli, Flaviana Serafim e Tatiana Melim - CUT/SP
Terminou neste sábado em Serra Negra (SP), o 13º CECUT, o congresso da CUT/SP. O encontro reuniu 826 delegados e delegadas de 17 ramos do estado. Durante quatro dias, eles participaram de oficinas temáticas, discutiram estratégia e plano de lutas da Central e elegeram sua nova diretoria. O atual presidente, Adi dos Santos Lima, foi reeleito para o triênio 2012-2015. A posse, no final da tarde, marcou o encerramento do congresso.

Os vários temas em discussão focaram tanto questões internas da entidade quanto propostas de ações para interferir nas esferas política e econômica, em especial no estado de São Paulo e tendo como meta a defesa dos direitos dos trabalhadores e sociedade. Internamente, ganhou destaque a reestruturação das subsedes como instâncias organizativas e de representação.
De amplitude geral, a defesa da garantia dos serviços públicos, fortalecimento da Comunicação para a disputa hegemônica, Trabalho Decente e, principalmente, um enfrentamento ainda maior ao governo PSDB/DEM, já que em todas as oficinas, palestras e debates foi evidenciado o desmonte causado pela gestão tucana em SP nas últimas décadas. E, especificamente voltado à ação sindical, o desenvolvimento de campanhas salariais das diversas categorias de forma unificada com a CUT.
O 13º CECUT também reforçou a luta pelo “empoderamento” das mulheres, aprovando a paridade com os homens na composição da Executiva da CUT e suas estaduais (veja mais em reportagem nesse site). Com a presença de representantes do governo e entidades, o congresso foi ainda pontuado por momentos de resgate da história sindical.
O presidente reeleito agradeceu a participação dos companheiros e companheiras que estão deixando a direção da CUT/SP e aos demais dirigentes de sindicatos e ramos que apoiaram a gestão anterior. "Não vamos descansar enquanto homens e mulheres foram humilhados, mal tratados e escravizados no trabalho, e vemos isso de perto no estado de São Paulo", afirmou Adi ao ressaltar a necessidade de ampliar o enfrentamento ao governo do PSDB.
O dirigente parabenizou as mulheres pela conquista da paridade neste 13º CECUT. "Somos incansáveis e teimosos e por isso estamos na CUT construindo a história da Central", finalizou.
Confira abaixo a nova diretoria eleita da CUT/SP:
Executiva
Presidência
Adi do Santos Lima - Metalúrgico
Vice Presidência
Douglas Martins Izzo – Educação
Secretaria Geral
Sebastião Geraldo Cardozo - Financeiro
Secretaria de Administração e Finanças
Renato Carvalho Zulato - Químico
Secretaria de Imprensa e Comunicação
Adriana Oliveira Magalhães - Financeiro
Secretaria de Organização e Política Sindical
Marcelo Renato Fiorio - Urbanitário
Secretaria da Mulher Trabalhadora
Sônia Auxiliadora de Vasconcelos Silva - Municipais
Secretaria de Formação
Telma Aparecida Andrade Victor - Educação
Secretaria de Relações do Trabalho
Rogério Giannini - Seguridade Social
Secretaria de Políticas Sociais
João Batista Gomes - Municipais
Secretaria de Juventude
Luciana Chagas Geremias - Comércio e Serviço
Secretaria de Igualdade Racial
Rosana Aparecida Silva - Educação
Secretaria do Meio Ambiente
Aparecido Bispo - Alimentação
Secretaria da Saúde do Trabalhador
Luiz Antônio Queiroz – Transporte

Direção
Benedito Augusto de Oliveira (Benão) - Seguridade Social
Ana Maria Rapini - Comércio e Serviço
Aparecida Leite Ferreira (Cidinha) - Vestuário
Carlos Tadeu Vila Nova - Administração Pública
Lilian Mary Parise - Comunicação
Miriam Aparecida da Silva - Educação
Cláudio Frequete de Almeida - Rurais
Miguel Aparecido do Espirito Santo - Químico
Aparecida Maria de Menezes (Cida) - Construção Civil

Coordenação das Subsedes
Araçatuba
Cleide Maria de Jesus de Almeida – Educação
ABC
Claudeonor Neves da Silva - Construção Civil
Baixada Santista
Mário César Matos Soares – Transporte
Bauru
Francisco Wagner Monteiro (Chicão) – Urbanitário
Campinas
José Tavares Gomes – Urbanitário
Guarulhos
José Rogério Vieira – Transporte
Itapeva
Solange Aparecida Benedeti Penha – Educação
Jundiaí
Vitor Machado – Alimentação
Osasco
Valdir Fernandes (Tafarel) – Financeiro
Ourinhos
Ademir Palko – Municipais
Mogi das Cruzes
Kátia Aparecida dos Santos - Seguridade Social
Presidente Prudente
Edmar da Silva Feliciano – Urbanitário
Ribeirão Preto
Luiz Henrique de Souza – Urbanitário
São José do Rio Preto
Paulo Eduardo Bellucci Franco – Financeiro
Sorocaba
Evanildo Amâncio (Miúdo) – Metalúrgico
Vale do Paraíba
Juarez Estevan Ribeiro – Metalúrgico
Vale do Ribeira
Roberto Barros Mateus Fouto - Financeiro

Conselho FiscalTitulares
Jaime Isidoro - Educação
Luana Clinéia Isidoro Leite - Municipais
Antônio Donizete – Financeiro
Suplentes
Milton Hungria – Químicos
Luis Carlos da Silva – Transporte
Roseli Aparecida de Souza (Rosa) - Municipais

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temáticas de formação
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